Pintura . Adonis e Vênus . Annibale Carraci.
Museu Kunsthistorisches, Viena 1595.
De acordo com a definição clássica da Biologia , sexo é o conjunto de características estruturais e funcionais pelas quais um ser vivo é definido como macho ou fêmea e desempenha o papel determinado de uma dessas condições na reprodução da espécie . Vários fatores determinam o sexo de um indivíduo , tais como a conformação cromossômica, a evolução das gônadas , o desenvolvimento dos órgãos sexuais e a ação hormonal; e outros fatores influem em sua percepção como pertencente a um determinado sexo . A definição de sexo , porém , não está limitada ao conceito primeiro da Biologia . Para uma aproximação de sua compreensão , é necessário conhecer suas dimensões genética , fisiológica e anatômica, psicológica e sociocultural.
Sexo Fisiológico e Anatômico
São as características físicas e funcionais primárias e secundárias que caracterizam o sexo masculino e o sexo feminino . As características físicas primárias estão presentes desde o nascimento. Já as secundárias se manifestam e desenvolvem ao longo da puberdade e adolescência dos indivíduos, devido à ação dos hormônios . Ver mais sobre este tema em Diferenças Sexuais - Desenvolvimento Sexual .
Sexo Psicológico
A identidade sexual é o fenômeno que permite a um indivíduo identificar-se com um determinado grupo . É, portanto , a totalidade de atitudes que o indivíduo tem com relação a si próprio e seus sentimentos de pertencer a um ou outro sexo , podendo coincidir ou não com seu sexo genético . Esta percepção tem início , geralmente , nos primeiros 24 meses de vida .
Sexo Sociocultural
É o que determina as características dos sexos masculino e feminino em uma determinada sociedade . É composto por uma série de normas de comportamento , obrigações e proibições que foram se modelando ao longo da tradição cultural, moral , religiosa e histórica das sociedades . Aqui são estabelecidos os papéis sexuais que homem e mulher devem desempenhar de acordo com a identificação de seu sexo biológico.
Intimidade
Pintura. O Caramanchel de Rosas. Hans Zatzka. Cerca de 1900.
O conceito de intimidade está fortemente ligado à vida privada. Todas as pessoas têm vida privada, um espaço reservado ao qual ninguém ou poucas pessoas selecionadas têm acesso, o que, por outro lado, acaba despertando a curiosidade para saber o que o outro faz no particular. Todo indivíduo tem direito à intimidade, de privar-se de se tornarem públicos aspectos da vida pessoal que não deseja partilhar.
Procura-se viver no íntimo o que é bom e o que não é, isto é, viver o máximo da felicidade e do prazer e ocultar a vergonha ou o fracasso.
A determinação do que é íntimo tem uma dimensão subjetiva e outra social. A intimidade pode ser o amor, a honestidade, o compromisso, a aceitação própria e do outro, é sexo, é vulnerabilidade, é confiança, é medo do não, é mutualidade, é interdependência, é vergonha das dificuldades sexuais, é permitir o profundo conhecimento na relação interpessoal. Mas existem também as convenções sociais que restringiram à intimidade ações naturais do ser humano como, por exemplo, sua higiene, seu desnudar e seu ato sexual. Assim, é comum em nossa cultura que as pessoas não se sintam à vontade para permitir a outras o uso de objetos pessoais, como escova de dente e lingerie, a comer no mesmo prato, a beber no mesmo copo e a liberar o acesso da casa aos quartos de dormir.
O desenvolvimento da intimidade implica em compartilhar e explorar os sentimentos, pensamentos, valores e metas de vida com o parceiro. Quando a intimidade se estabelece numa relação afetiva, os parceiros tendem a ter vontade de falar e ouvir sobre suas sensações, expectativas e temores, como uma forma de parecer transparente ao outro e torná-lo partícipe de sua vida.
A intimidade e a sexualidade são dois componentes importantes de uma vida sadia e feliz. Um dos problemas mais importantes é a incapacidade de falar de sexo e de intimidade, e de buscar ajuda quando necessário. Falar de sexo ainda é, para muitas pessoas, um tema que não deve ser tocado, até com o parceiro.
Parte da dificuldade de transmitir os verdadeiros sentimentos ao parceiro em relação à satisfação sexual é o medo associado ao futuro da relação. Esta insegurança constitui um obstáculo para o diálogo aberto e franco, que é indispensável para um bom ajuste sexual do casal. Muitas mulheres condicionadas por vergonha e tabus, optam por fingir a correr o risco de revelar que a experiência não é satisfatória e não atende às suas expectativas.
O diálogo é o principal caminho para sentir-se próximo à outra pessoa; compartilhar histórias de vida, objetivos, temores e sonhos. Evitar o diálogo pode conduzir à inibição da sexualidade. É importante saber o que o parceiro deseja e falar dos próprios desejos, e como ambos vão trabalhar essas expectativas. Confiar no parceiro pode ser uma boa maneira de solucionar os problemas e conversar sobre os sentimentos também pode ajudar a evitar culpa ou ressentimentos.
Orgasmo
Pintura. O Amor da Alma. Jean Deville.
Museu d'Ixelles, Bruxelas. 1900.
A maioria dos dicionários define o orgasmo como o grau máximo de excitação e culminação do prazer sexual. Já a Enciclopédia Britânica introduz na definição o conceito de gratificação e de subseqüente relaxamento das tensões sexuais.
De acordo com Masters e Johnson, o orgasmo é um breve período de liberação física do aumento prévio da tensão muscular, da concentração do fluxo de sangue na pelve e da sensação corporal de excitação, somado à percepção subjetiva que o indivíduo tem deste estado. Esta liberação energética ocorre por contrações musculares ritmadas na região genital que se refletem em outras partes do corpo. As contrações resultam ser bastante prazerosas e produzem uma sensação de alívio e relaxamento.
Além do coito, na masturbação, no sexo oral e no sexo anal também se atinge o orgasmo.
O mecanismo fisiológico do orgasmo masculino e feminino está descrito na Sala Sexo e Ciências - Diferenças Sexuais – Prazer. Contudo, o orgasmo é também uma experiência com grande dimensão subjetiva, uma experiência de vida íntima do indivíduo e, nesse nível, recebe as mais distintas definições:
• É uma sensação extremamente prazerosa na qual se atinge o máximo da resposta sexual. O prazer experimentado dificilmente pode ser comparado a outro obtido em diferentes circunstâncias. É como abandonar o próprio corpo e sentir que não existe tempo nem espaço. Durante o orgasmo as pessoas sentem que tudo se perde e tudo se ganha. É como se sentir imerso em um mundo novo e inimaginável.
• É uma sensação de voluptuosidade, de viver o máximo de felicidade, de chegar ao êxtase.
• O orgasmo é quietude e solidão necessárias. Uma vivência que dá vontade de repetir, na qual um se satisfaz e deseja satisfazer ao outro. É um momento no qual mais se sente o outro, embora se tenha uma agradável sensação de solidão, de estar com o próprio eu.
• O orgasmo é uma sensação absolutamente subjetiva: é como sentir que toda a existência se condensa em um instante, se expande e explode em um grito de plenitude e triunfo. É como se perder no infinito e sair dele, é ganhar energia, força, vitalidade; é como mergulhar em águas profundas e emergir subitamente à superfície clara e vital.
Declaração dos Direitos Sexuais
A sexualidade é parte integral da personalidade de todo ser humano. Seu pleno desenvolvimento depende da satisfação de necessidades humanas básicas tais como o desejo de contato, intimidade, expressão emocional, prazer, carinho e amor.
A sexualidade é construída por meio da interação entre o indivíduo e as estruturas sociais. O pleno desenvolvimento da sexualidade é essencial para o bem-estar individual, interpessoal e social.
Os direitos sexuais são direitos humanos universais baseados na liberdade, dignidade e igualdade inerentes a todos os seres humanos. E uma vez que a saúde é um direito humano fundamental, a saúde sexual deve ser um direito humano básico. Para assegurar que os seres humanos e as sociedades desenvolvam uma sexualidade saudável, os seguintes direitos sexuais devem ser reconhecidos, promovidos, respeitados e defendidos de todas as maneiras por todas as sociedades. A saúde sexual é o resultado de um ambiente que reconhece, respeita e exerce estes direitos sexuais.
1. O Direito à Liberdade Sexual – A liberdade sexual abrange a possibilidade dos indivíduos em expressar plenamente seu potencial sexual. No entanto, estão excluídas todas as formas de coerção, exploração e abuso sexuais em qualquer época ou situações da vida.
2. O Direito à Autonomia, Integridade e Segurança Sexual do Corpo – Este direito inclui a habilidade de uma pessoa em tomar decisões autônomas sobre a própria vida sexual dentro do contexto da ética pessoal e social. Também inclui a capacidade de controle e prazer de nossos corpos, livres de tortura, mutilação e violência de qualquer tipo.
3. O Direito à Privacidade Sexual – É o direito às decisões e aos comportamentos individuais exercidos na intimidade desde que não interfiram nos direitos sexuais de outros.
4. O Direito à Eqüidade Sexual – Este direito se refere à oposição a todas as formas de discriminação, independentemente do sexo, gênero, orientação sexual, idade, raça, classe social, religião ou limitação física ou emocional.
5. O Direito ao Prazer Sexual – O prazer sexual, incluindo o auto-erotismo, é uma fonte de bem-estar físico, psicológico, intelectual e espiritual.
6. O Direito à Expressão Sexual Emocional – A expressão sexual é mais que um prazer erótico ou os atos sexuais. Cada indivíduo tem o direito de expressar sua sexualidade por meio da comunicação, do contato, da expressão emocional e do amor.
7. O Direito à Livre Associação Sexual – Significa a possibilidade de se casar ou não, de divorciar-se e de estabelecer outros tipos de associações sexuais responsáveis.
8. O Direito às Decisões Reprodutivas Livres e Responsáveis – É o direito de decidir sobre ter ou não ter filhos, o número e o período entre cada um, e o direito ao total acesso a métodos de regulação da fertilidade.
9. O Direito à Informação Baseada no Conhecimento Científico – A informação sexual deve ser gerada por meio da pesquisa científica livre e ética, e disseminada de modo apropriado em todos os níveis sociais.
10. O Direito à Educação Sexual Integral – Este é um processo que inicia no nascimento e dura toda a vida, e que deveria envolver todas as instituições sociais.
11. O Direito à Saúde Sexual – O cuidado com a saúde sexual deve estar disponível para a prevenção e o tratamento de todos os problemas, inquietações e transtornos sexuais.
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É importante lembrar: Faça sexo seguro, use CAMISINHA.
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