terça-feira, 10 de março de 2009

PALAVRAS


Com uma palavra, podemos recriar uma pessoa; com uma palavra, podemos destruí-la.

A arte de viver bem e ser feliz deriva de e implica relações vivas e sãs com a realidade toda, a começar pelos mais próximos - (…) é essencial para a felicidade a vinculação à família e aos amigos.

A serenidade não significa passividade nem resignação.

A amizade supõe três condições essenciais: a benevolência, a beneficiência e a confidência. Querer bem - quem é que não quer bem ao amigo? Fazer bem - quem é que não faz bem à amiga? Mas a benevolência e a beneficência pertencem, de modo mais ou menos intenso, a toda a Humanidade: devemos querer bem e fazer bem a todos os seres humanos, na medida do possível. Mas o que caracteriza a amizade mesmo é a confidência: há aqueles e aquelas - muito poucos - em quem confiamos, com quem nos abrimos e que confiam em nós e se abrem a nós, com a certeza de que encontramos compreensão e de que não seremos traídos no nosso segredo mais íntimo nem eles serão atraiçoados no seu. Como seria possível a vida humana enquanto humana sem os amigos?

A nossa sociedade da banalidade rasante, do consumismo enlouquecido, da espectacularização ridícula, da correria alienada e alienante, só pode ser o que é enquanto assente no tabu da morte. Se a morte voltasse ao pensamento sereno dos homens, ela imporia uma conversão.

QUEM SOMOS?


Será que alguma vez nos revelamos aos outro como somos verdadeiramente?

Será que alguma vez, por algum momento conseguimos colocar de lado aquelas mácaras que tão acolhedoramente nos protegem?

Porque sentimos necessidade de as usar? Para nos proteger? Se sim proteger de quê?

Não nos sentimos bem na nossa pele, por isso recorremos a elas como escape para sermos como gostamos que os outros nos vejam e não como realmente somos?

Será que quando dizemos ou mostramos quem somos, estamos a demonstrar o nosso genuíno eu ou demonstramos um eu “protegido”?

As máscaras justificam-se? Ou não passam de meras desculpas para nos tornarem quem desejaríamos ser, mas que não somos?

O PEQUENO PRÍNCIPE



Um ex-piloto da força aérea nazista parece ter sido o causador da queda do avião que pilotava Antoine de Saint-Exupery. A revelação foi feita pelo próprio Horst Rippert, piloto da Luftwaffe que teme ter derrubado o avião.

O autor d' “O Pequeno Príncipe”, desapareceu do avião no dia 31 de Julho de 1944. Tinha apenas 44 anos quando morreu.


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… Julgava-me muito rico por ter uma flor única no mundo e, afinal só tenho uma rosa vulgar…
Foi então que apareceu uma raposa .
- Olá, bom dia! disse a raposa.
- Olá, bom dia! - Respondeu delicadamente o princepezinho…
-Anda brincar comigo - pediu o princepezinho. Estou tão triste…
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Ainda ninguém me cativou…
Andas á procura de galinhas? (diz a raposa)
Não… Ando á procura de amigos. O que é que “cativar” quer dizer?
… Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
Laços?
Sim, laços - disse a raposa. - …
Eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo e eu serei para ti, única no mundo…
(raposa) Tenho uma vida terrivelmente monótona…
Mas se tu me cativares, a minha vida fica cheia se Sol.
Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? … não me fazem lembrar de nada. É uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então quando eu estiver cativada por ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti…
- Só conhecemos as coisas que cativamos - disse a raposa. - Os homens, agora já não tem tempo para conhecer nada. Compram as coisas feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não tem amigos. Se queres um amigo, cativa-me!

E o que é preciso fazer? - Perguntou o princepezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada . A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar mais perto…
Se vieres sempre ás quatro horas, ás três já eu começo a ser feliz…
Foi assim que o princepesinho cativou a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa - Ai que me vou pôr a chorar…
… Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo…
Depois acrescentou:
- Anda vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo.
O princepesinho lá foi… - vocês não são nada disse-lhes ele. - Não há ninguém preso a vocês… - não se pode morrer por vocês…
… A minha rosa sozinha. vale mais do que vocês todas juntar, porque foi a ela que eu reguei, que eu abriguei… Porque foi a ela que eu ouvi queixar-se, gabar-se e até, ás vezes calar-se. Porque ela é a minha rosa.
E então voltou para ao pé da raposa e disse:
- Adeus…
- Adeus - disse a raposa. - vou-te contar o tal segredo. É muito simples:
Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos…
Foi o tempo que tu perdes-te com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. Mas tu não te deves esquecer dela.
Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa…